Do que me prende a terra, desfaço o laço e me afasto. Por que não sou de chão; sou de pássaros. De asas nos pés. Acerto o compasso, apresso o passo e leve, sigo. Porque sou de plumas. De levitares e de suspiros. Em brisas ou furacões eu sou de ventos. Eu sou de voos num rasgar de céus azuis. E quando asas me faltarem, serei de quedas, ainda que abismais, nem o viver discreto impedirá a torrente de almas que me rasgam de fora pra dentro o limite de céu que trago.
Eu nao quero que seus amigos saibam tudo
sobre mim, só que quando ninguém saiba onde você está, eles digam que você –
provavelmente – está comigo. Eu nao quero que tu ame as bandas que eu gosto, só
quero que você me ligue pra dizer que ouviu uma musica, e que lembrou de mim.
Eu nao quero que você me de presentes o tempo todo, só quero que em um dia aleatório,
você chegue com uma margarida roubada do jardim do vizinho. Eu nao quero que você
me ligue o tempo todo, só que mande uma mensagem de madrugada, dizendo que nao
consegue dormir. Eu nao quero que você me leve para onde tu for, so quero que
quando você voltar, diga que sentiu saudades.
Eu nao quero que você saia comigo todos os
dias, só quero que em um dia qualquer você me ligue dizendo que está em frente
a minha casa, me esperando. Eu nao quero que você me faça declarações de amor,
só quero que eu encontre meu nome escrito em algum canto do seu caderno. Eu nao
quero que você me chame de apelidos como amor, linda, foda, so quero que quando
perguntem sobre mim, suas pupilas dilatem e você diga “minha princesa”.